Estudo inédito realizado pelo PolObs revela o perfil dos públicos da cultura de Braga

O relatório final da investigação científica “Públicos da Cultura de Braga: 2º semestre de 2020” realizada pelo Observatório de Políticas de Ciência, Comunicação e Cultura (PolObs/CECS) da Universidade do Minho, já está disponível ao público. O estudo, encomendado pela Câmara Municipal de Braga, no âmbito da candidatura da cidade a Capital Europeia da Cultura 2027, realizou-se ao longo de 11 meses com a colaboração de uma equipa de sete investigadores, coordenados por Manuel Gama, investigador responsável pela vertente da Cultura do Observatório.

Os principais objetivos do estudo centraram-se em mapear e identificar o perfil dos públicos dos equipamentos e eventos culturais de Braga e traçar o perfil dos potenciais públicos do concelho. O desenvolvimento do estudo teve como base uma metodologia que conjugou uma abordagem qualitativa com uma abordagem quantitativa e integrou instrumentos e técnicas diversificadas, como inquéritos, análise documental, entrevistas e grupos de discussão que asseguraram a abrangência, o alcance e a profundidade das questões do estudo.

Os resultados da investigação revelam que os públicos masculinos e com idade entre os 40 e os 74 anos são os que, por um lado, mais frequentemente visitam e conhecem os espaços culturais e, por outro lado, os que mais assistem/participam em eventos culturais. O Theatro Circo, a Centésima Página, o gnration, compõem o conjunto de espaços culturais mais frequentemente visitados e conhecidos em Braga.

As práticas artísticas amadoras (PAA), destacam-se pela fraquíssima frequência de realização, sendo que, apesar de reduzidas, a música e as artes visuais são as duas práticas amadoras menos raras no cotidiano dos públicos. No que diz respeito às restantes práticas culturais de saída, o consumo dos públicos é residual, com as visitas a monumentos históricos, a museus ou galerias de arte a serem, apesar de pouco expressivas, as que apresentam consumos mais frequentes.

Se são públicos femininos que mais veem televisão e leem livros, independentemente de ser ou não por motivos escolares ou profissionais, são os públicos masculinos que ouvem mais rádio.

É ainda relevante destacar que nos públicos femininos o interesse pessoal, tal como a temática das atividades e a recomendação de familiares/amigos/conhecidos, é mais importante do que para os públicos masculinos.

Os públicos femininos são os que mais frequentemente realizam atividades nos tempos livres e de lazer, destacando-se as atividades culturais e o convívio com familiares e amigos. Os públicos masculinos privilegiam as atividades desportivas, as atividades de contacto com a natureza e as PAA (dança, literatura, música, teatro, artes visuais, audiovisual e multimédia).

Estes e demais resultados estão disponíveis aqui em versão completa.

Para além do projeto de Públicos da Cultura de Braga, o Observatório colaborou junto da Câmara Municipal com o desenvolvimento de um modelo para a monitorização e avaliação da fase de candidatura da cidade a CEC, referido no dossier de candidatura de Braga a Capital Europeia da Cultura 2027, recentemente apresentado num evento presencial aberto ao público.

Na ocasião, Cláudia Leite, coordenadora geral da Braga´27, reiterou a importância de estudos científicos para a consolidação de estratégias para a área da Cultura. “De facto existe uma ausência de um programa, a nível nacional neste momento, de tudo aquilo que são estatísticas e informações a nível cultural e, portanto, nós temos uma necessidade de construir política cultural baseada em factos e também baseada numa análise séria daquilo que é a realidade e seus impactos. E esta colaboração com o PolObs, também nesta perspetiva de Observatório, de continuidade, é fundamental para irmos analisando o impacto do projeto e para até eventualmente percebermos a necessidade de retificar a trajetória a longo prazo”.