Workshop Digital4Culture debate desafios e oportunidades da digitalização no setor cultural

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Qual é o papel das ferramentas digitais na preservação da cultura? A pergunta foi o mote para o Workshop Digital4Culture, uma iniciativa conjunta da UNU-EGOV (Unidade Operacional de Governação Eletrónica da Universidade das Nações Unidas) e do PolObs (Observatório de Políticas de Comunicação e Cultura), que teve lugar no passado dia 17 de setembro, o Museu Martins Sarmento, em Guimarães. O evento reuniu especialistas e investigadores para refletir sobre o papel do digital na preservação da memória cultural e na visibilidade de comunidades marginalizadas.

As sessões da manhã foram marcadas por intervenções que exploraram a preservação e transmissão de dados armazenados, os impactos das transformações digitais na sociedade contemporânea e os riscos éticos associados à utilização de dados no setor cultural. Tina Magazzini, do INTEGRIM Lab, alertou para o facto de o ambiente digital “oferecer muitas possibilidades, mas também conter muitas armadilhas”, sublinhando a necessidade de uma conduta atenta na presença digital. Foram apresentados casos de diferentes regiões do mundo, destacando-se abordagens que promovem a solidariedade e a valorização do conhecimento tradicional de povos historicamente excluídos. Rama Salahat, representante da 7amleh – Arab Center for Social Media Advancement, evidenciou como o caso palestiniano demonstra que as questões de visibilidade podem ser consideradas questões de sobrevivência. Salientou ainda a questão da linguagem e a predominância da cultura digital anglo-saxónica, alertando para a necessidade de equidade no acesso digital.”As ferramentas digitais podem diversificar as narrativas culturais ou contribuir para uma tendência unificadora”, concluiu.

Durante a tarde, o debate centrou-se em temas como identidade digital, segurança e riscos associados à presença online. Cláudia Manuel, da UNOSAT, salientou a falta de espírito crítico em relação às ferramentas digitais e alertou para o risco de apropriação de dados que podem ser utilizados contra os seus produtores. A digitalização foi apresentada não apenas como um meio de preservação, mas também como uma oportunidade de cooperação com as comunidades locais, promovendo uma maior inclusão e participação nos processos culturais. Márcia Mansur, do Estúdio CRUA, apresentou o seu trabalho de recolha de narrativas em São Paulo, com o objetivo de preservar a memória cultural de uma cidade afetada pelo crescimento populacional desordenado. O seu trabalho demonstrou, sobretudo, que a digitalização pode ser utilizada como uma “parceria de cooperação com a comunidade”.